quarta-feira, 24 de junho de 2015

Grandeza Vetorial

Ontem eu perguntei ao meu professor da faculdade se demorou muito para chegar aos 50 anos. Com um sorriso ele me respondeu que só demorou até chegar aos 18, e que a partir de então o tempo voou. Ele saiu da sala e me deixou refletindo. Talvez ele nem saiba o peso que aquelas palavras tiveram sobre mim. Sempre que eu penso nosso, tenho a impressão de que a minha vida está seguindo e eu estou apenas assistindo-a passar diante de mim, e que, quando eu menos esperar estarei sentada numa cadeira de balanço, aposentada olhando os meus netos brincarem.

Pode até parecer exagero, mas não é. O que eu construí nesses meus 19 anos? O que faz com que viver a vida seja um prazer e não um fardo? Será que eu estou destinada a apenas cumprir aquele velho ciclo de "nascer, crescer, reproduzir e morrer"? O que eu vou deixar de legado? Como as pessoas vão se lembrar de mim? Ou simplesmente não lembrarão? Eu tenho aproveitado as oportunidades que me aparecem?

Viver foi a melhor oportunidade a mim concedida e eu não tenho aproveitado como deveria. A comodidade parece tão mais confortável, eu sei. Mas definitivamente, não concorda com os meus interesses. Eu quero ver o mundo com aquele olhar curioso de criança quando ainda está desenvolvendo a percepção, onde pra ela tudo é indagante (infelizmente, fazem com que as crianças cresçam  acreditando que tudo é normal demais para se despertar curiosidade), quero questionar sobre tudo, quero duvidar, quero buscar respostas.

A vida é uma grandeza vetorial, e agora darei sentido, direção e intensidade à minha.

27/02/2015

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